
O vinho, hoje, é a bebida. E Lavras, MG, é o lugar. Vou explicar: Depois de várias horas de estrada e de desvios, passando por Nepomuceno (!), eis que cheguei a um simples, mas confortável colonial hotel na cidade mineira de Lavras. Check-in feito, banho tomado, hora do jantar. Claro, com um bom vinho, se tivesse. E tinha. Para minha surpresa, uma carta bem completa, com vários rótulos europeus, além dos tradicionais e econômicos porteños e chilenos. Fui num Cabernet chileno, do Vale Central. Caiu bem para acompanhar uma truta grelhada. Logo nos primeiros minutos, o jovem bar-man mandou um CD do Scorpions como trilha sonora. Outra surpresa. Não que hoje em dia eu goste, mas a banda alemã fez parte de minha juventude, sempre frequentando meu walkman através das desgastadas fitas K7. De repente, um senhor muito simpático, aparentemente "quase" sexagenário, vem à mesa, perguntando com educação rara se tudo estava bem. Antes que eu respondesse, ele perguntou se eu gostava de vinhos. E, também, antes que eu respondesse, ele "emendou", não sem antes elogiar sua própria carta (aí, percebi que era o dono do hotel), afirmando que consumia a bedida havia 60 anos. E foi de propósito, claro, para que eu perguntasse sua idade: 80 anos, sem a mínima aparência. Assim, após uma prosa que viajou de Paraty a Buenos Aires ele concluiu o papo com uma pérola: "Pois é, tudo culpa do vinho". Faltam só quarenta anos para que eu chegue lá. Pois então digo: Que seja culpa do vinho!
